domingo, 18 de março de 2012

O AMOR MADURO, do Artur da Tavóra



( do meu sempre lembrado e fraterno amigo Paulo Alberto,o Artur da Távora)



O amor maduro não é menor em intensidade.


Ele é apenas quase silencioso.


Não é menor em extensão.


É mais definido, colorido e poetizado.


Não carece de demonstrações:


presenteia com a verdade do sentimento.


Não precisa de presenças exigidas:


amplia-se com as ausências significantes.




O amor maduro tem e quer problemas,


sim, como tudo.


Mas vive dos problemas da felicidade.


Problemas da felicidade são formas trabalhosas


de construir o bem e o prazer.


Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro.




Na felicidade está o encontro de peles,


o ficar com o gosto da boca e do cheiro,


está a compreensão antecipada, a adivinhação,


o presente de valor interior,


a emoção vivida em conjunto,


os discursos silenciosos da percepção,


o prazer de conviver, o equilíbrio de carne e espírito.


Carne intensa, alegre, criança, redescobrimento


das melhores dimensões pessoais e alma refeita,


abastecida de todas as proteções necessárias,


um enorme empório de afinidades acima e além


de meras concordâncias intelectuais.


Os problemas daí derivados são os problemas da felicidade.


Problemas, sim, alguns graves.


Mas estalantes de um sentimento bom.




Na infelicidade estão a agressão, o desamor,


o não conseguir, a rejeição, a dor, o cansaço,


a troca com perda, a obrigação, o tédio, o desencontro,


o insulto, o ciúme machucante, as futricas de família,


as peles se eriçando e os toques que dão susto.


Os problemas da infelicidade não devem ser trazidos


para a trama do amor maduro.


O amor maduro é sólido e definido.


Mas estranhamente se recolhe


quando invadido pelos problemas


da infelicidade que fazem a glória do amor imaturo.


Acaba acabando.




O amor maduro não disputa, não cobra,


pouco pergunta, menos quer saber. Teme, sim.


Porém não faz do temor argumento.


Basta-se com a própria existência.


Alimenta-se do instante presente valorizado e importante


porque redentor de todos os equívocos do passado.


O amor maduro é a regeneração de cada erro.


Ele é filho da capacidade de crer e continuar.


É o sentimento que se manteve mais forte


depois de todas as ameaças, guerras ou inundações existenciais


com epidemias de ciúme, controle ou agressividade.



O amor maduro é a valorização do melhor do outro


e a relação com a parte salva de cada pessoa.


Ele vive do que não morreu mesmo tendo ficado para depois.


Vive do que fermentou criando dimensões novas


para sentimentos antigos, jardins abandonados cheios de sementes.


Ele não pede, tem. Não reivindica, consegue.


Não persegue, recebe. Não exige, dá. Não pergunta, adivinha.


Existe, para fazer feliz.


Só teme o que cansa, machuca ou desgasta.




O amor maduro não precisa de armaduras, coices, cargos


iluminuras, enfeites, papel de presente, flâmulas, hinos,


discursos ou medalhas:


vive de uma percepção tranqüila da essência do outro.


Deixa escapar a carência sem que pareça paupérrima.


Demonstra a necessidade sem que pareça voraz.


Define uma dependência sem que se manifeste humilhante.




O amor maduro cresce na verdade e se esconde a cada auto-ilusão.


Basta-se com o todo do pouco.


Não precisa nem quer nada do muito.


Está relacionado com a vida e sua incompletude,


por isso é pleno em cada ninharia por ela transformada em paraíso.


É feito de compreensão, música e mistério.


É a forma sublime de ser adulto


e a forma adulta de ser sublime e criança.




É o sol de outono: nítido mas doce.


Luminoso, sem ofuscar.


Suave mas definido.


Discreto mas certo.


Um sol, que aquece até queimar.







(in "Algumas Poesias", Ed. Civilização Brasileira, 1990, pág. 23)

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quinta-feira, 15 de março de 2012

AVISO, de Lya Luft

Se me quiseres amar,

terá de ser agora: depois

estarei cansada.

Minha vida foi feita de parceria com a dúvida:

pertenço um pouco a cada uma,

pra mim sobrou quase nada.



Ponho a máscara do dia,

um rosto cômodo e simples,

e assim garanto a minha sobrevida.



Se me quiseres amar,

terá de ser hoje:

amanhã estarei mudada.





(in "POESIA GAÚCHA", Ed. Globo, 2001, pág. 95)
 
 
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quarta-feira, 14 de março de 2012

PASSEI TODA A NOITE..., de Fernando Pessoa

Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.

Amar é pensar.

E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela,
e eu não penso senão nela.

Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.

Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero.
Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.



(”O Guardador de Rebanhos”, “Obra Completa”, Ed. Aguilar, 1960, pág. 312.)

terça-feira, 13 de março de 2012

CAMPO DE FLÔRES, de Carlos Drummond de Andrade

Deus me deu um amor no tempo da madureza,

Quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.

Deus - ou foi talvez o Diabo - deu-me este amor maduro,

E a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.



Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos

E outros acrescento aos que o amor já criou.

Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso

E talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.



Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia

E cansado de mim julgava que era o mundo

Um vácuo atormentado, um sistema de erros.

Amanhecem de novo as antigas manhãs

Que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.



Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra

Imensa e contraída como letra no muro

E só hoje presente.



Deus me deu um amor porque o mereci.

De tantos que já tive ou tiveram em mim,

O sumo se espremeu para fazer um vinho

Ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.



E o tempo que levou uma rosa indecisa

A tirar sua cor dessas chamas extintas

Era o tempo mais justo. Era tempo de terra.

Onde não há jardim, as flores nascem de um

Secreto investimento em formas improváveis.



Hoje tenho um amor e me faço espaçoso

Para arrecadar as alfaias de muitos

Amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes,

E ao vê-los amorosos e transidos em torno

O sagrado terror converto em jubilação

Seu grão de angústia amor já me oferece

Na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia

Os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura

E o mistério que faz os seres preciosos

À visão extasiada.



Mas, porque me tocou um amor crepuscular,

Há que amar diferente. De uma grave paciência

Ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia

Tenha dilacerado a melhor doação.

Há que amar e calar.

Para fora do tempo arrasto meus despojos

E estou vivo na luz que baixa e me confunde.



(“Noticias Amorosas”, pág. 250 ,”Obra Completa, Ed. Aguilar, 1964.)


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segunda-feira, 12 de março de 2012

NUM MEIO DIA DE FIM DA PRIMAVERA (VIII) , de Fernando Pessoa (como Alberto Caiero)

Num meio-dia de fim de Primavera

Tive um sonho como uma fotografia.

Vi Jesus Cristo descer à terra.

Veio pela encosta de um monte

Tornado outra vez menino,

A correr e a rolar-se pela erva

E a arrancar flores para as deitar fora

E a rir de modo a ouvir-se longe.



Tinha fugido do céu.

Era nosso demais para fingir

De segunda pessoa da Trindade.

No céu tudo era falso, tudo em desacordo

Com flores e árvores e pedras.

No céu tinha que estar sempre sério

E de vez em quando de se tornar outra vez homem

E subir para a cruz, e estar sempre a morrer

Com uma coroa toda à roda de espinhos

E os pés espetados por um prego com cabeça,

E até com um trapo à roda da cintura

Como os pretos nas ilustrações.

Nem sequer o deixavam ter pai e mãe

Como as outras crianças.

O seu pai era duas pessoas -

Um velho chamado José, que era carpinteiro,

E que não era pai dele;

E o outro pai era uma pomba estúpida,

A única pomba feia do mundo

Porque nem era do mundo nem era pomba.

E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.

Não era mulher: era uma mala

Em que ele tinha vindo do céu.

E queriam que ele, que só nascera da mãe,

E que nunca tivera pai para amar com respeito,

Pregasse a bondade e a justiça!



Um dia que Deus estava a dormir

E o Espirito Santo andava a voar,

Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.

Com o primeiro fez com que ninguém soubesse que ele tinha fugido.

Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.

Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz

E deixou-o pregado na cruz que há no céu

E serve de modelo às outras.

Depois fugiu para o sol

E desceu no primeiro raio que apanhou.

Hoje vive na minha aldeia comigo.

É uma criança bonita de riso e natural.

Limpa o nariz ao braço direito,

Chapinha nas poças de água,

Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.

Atira pedras aos burros,

Rouba a fruta dos pomares

E foge a chorar e a gritar dos cães.

E, porque sabe que elas não gostam

E porque toda a gente acha graça,

Corre atrás das raparigas

Que vão em ranchos pelas estradas

Com as bilhas às cabeças

E levanta-lhes as saias.



A mim ensinou-me tudo.

Ensinou-me a olhar para as coisas.

Aponta-me todas as coisas que há nas flores.

Mostra-me como as pedras são engraçadas

Quando agente as tem na mão



E olha devagar para elas.



Diz-me muito mal de Deus.

Diz que ele é um velho estúpido e doente,

Sempre a escarrar para o chão

E a dizer indecências.

A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.

E o Espirito Santo coça-se com o bico

E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.

Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.

Diz-me que Deus não percebe nada

Das coisas que criou -

"Se é que ele as criou, do que duvido." -

"Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória,

Mas os seres não cantam nada.

Se cantassem seriam cantores.

Os seres existem e mais nada,

E por isso se chamam seres."



E depois, cansado de dizer mal de Deus,

O Menino Jesus adormece nos meus braços

E eu levo-o ao colo para casa.



Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.

Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.

Ele é humano que é natural.

Ele é o divino que sorri e que brinca.

E por isso é que eu sei com toda a certeza

Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.



E a criança tão humana que é divina

É a minha quotidiana vida de poeta,

E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.

E que o meu mínimo olhar

Me enche de sensação,

E o mais pequeno som, seja do que for,

Parece falar comigo.



A Criança Nova que habita onde vivo

Dá-me uma mão a mim

E outra a tudo que existe

E assim vamos os três pelo caminho que houver,

Saltando e cantando e rindo

E gozando o nosso segredo comum

Que é saber por toda a parte

Que não há mistério no mundo

E que tudo vale a pena.



A Criança Eterna acompanha-me sempre.

A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando.

O meu ouvido atento alegremente a todos os sons

São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.



Damo-nos tão bem um com o outro

Na companhia de tudo

Que nunca pensamos um no outro,

Mas vivemos juntos e dois

Com um acordo íntimo

Como a mão direita e a esquerda.



Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas

No degrau da porta de casa,

Graves como convém a um deus e a um poeta,

E como se cada pedra

Fosse todo o universo

E fosse por isso um grande perigo para ela

Deixá-la cair no chão.



Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens

E ele sorri porque tudo é incrível.

Ri dos reis e dos que não são reis,

E tem pena de ouvir falar das guerras,

E dos comércios, e dos navios

Que ficam fumo no ar dos altos mares.

Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade

Que uma flor tem ao florescer

E que anda com a luz do Sol

A variar os montes e os vales

E a fazer doer aos olhos os muros caiados.



Depois ele adormece e eu deito-o.

Levo-o ao colo para dentro de casa

E deito-o, despindo lentamente

E como seguindo um ritual muito limpo

E todo materno até ele estar nu.



Ele dorme dentro da minha alma

E às vezes acorda de noite

E brinca com os meus sonhos.

Vira uns de pernas para o ar,

Põe uns em cima dos outros

E bate palmas sozinho

Sorrindo para o meu sono.

Quando eu morrer, filhinho,

Seja eu a criança, o mais pequeno.

Pega-me tu ao colo

E leva-me para dentro da tua casa.

Despe o meu ser cansado e humano

E deita-me na tua cama.

E conta-me histórias, caso eu acorde,

Para eu tornar a adormecer.

E dá-me sonhos teus para eu brincar

Até que nasça qualquer dia

Que tu sabes qual é.Esta é a história do meu Menino

Jesus

Por que razão que se perceba

Não há-de ser ela mais verdadeira.

Que tudo quanto filósofos pensam

E tudo quanto as religiões ensinam?

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domingo, 11 de março de 2012

POEMA À BOCA FECHDA, de José Saramago




Não direi:


Que o silêncio me sufoca e amordaça.


Calado estou, calado ficarei,


Pois que a língua que falo é de outra raça.






Palavras consumidas se acumulam,


Se represam, cisterna de águas mortas,


Ácidas mágoas em limos transformadas,


Vaza de fundo em que há raízes tortas.






Não direi:


Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,


Palavras que não digam quanto sei


Neste retiro em que me não conhecem.






Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,


Nem só animais bóiam, mortos, medos,


Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam


No negro poço de onde sobem dedos.






Só direi,


Crispadamente recolhido e mudo,


Que quem se cala quando me calei


Não poderá morrer sem dizer tudo.










(In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição)


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sábado, 10 de março de 2012

ESTOU TONTO, de Fernando Pessoa

Estou tonto,


Tonto de tanto dormir ou de tanto pensar,


Ou de ambas as coisas.


O que sei é que estou tonto


E não sei bem se me devo levantar da cadeira


Ou como me levantar dela.


Fiquemos nisto: estou tonto.






Afinal


Que vida fiz eu da vida?


Nada.


Tudo interstícios,


Tudo aproximações,


Tudo função do irregular e do absurdo,


Tudo nada.


É por isso que estou tonto ...






Agora


Todas as manhãs me levanto


Tonto ...






Sim, verdadeiramente tonto...


Sem saber em mim e meu nome,


Sem saber onde estou,


Sem saber o que fui,


Sem saber nada.






Mas se isto é assim, é assim.


Deixo-me estar na cadeira,


Estou tonto.


Bem, estou tonto.


Fico sentado


E tonto,


Sim, tonto,


Tonto...


Tonto.






(Como Álvaro de Campos, in "Poemas" , “Obra Completa”, Ed. Aguilar, 1960, pág. 258)

sexta-feira, 9 de março de 2012

TODOS TEMOS DUAS ALMAS, de Machado de Assis

Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro... Espantem-se à vontade, podem ficar de boca aberta, dar de ombros, tudo; não admito réplica. Se me replicarem, acabo o charuto e vou dormir. A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação. Há casos, por exemplo, em que um simples botão de camisa é a alma exterior de uma pessoa; - e assim também a polca, o voltarete, um livro, uma máquina, um par de botas, uma cavatina, um tambor, etc. Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira. (...) Agora, é preciso saber que a alma exterior não é sempre a mesma...



- Não?


- Não, senhor; muda de natureza e de estado. Não aludo a certas almas absorventes, como a pátria, com a qual disse o Camões que morria, e o poder, que foi a alma exterior de César e de Cromwell. São almas enérgicas e exclusivas; mas há outras, embora enérgicas, de natureza mudável. Há cavalheiros, por exemplo, cuja alma exterior, nos primeiros anos, foi um chocalho ou um cavalinho de pau, e mais tarde uma provedoria de irmandade, suponhamos.






( in "O Espelho"  )

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quinta-feira, 8 de março de 2012

Todo Dia É Dia da Mulher

Dose diária de Adélia Prado !

Vamos parar com essa groselha!





"Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

— dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou."

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SABER VIVER, de Cora Coralina

Não sei… Se a vida é curta


Ou longa demais prá nós,


Mas sei que nada do que vivemos


Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.


Muitas vezes basta ser:


Colo que acolhe,


Braço que envolve,


Palavra que conforta,


Silêncio que respeita,


Alegria que contagia,


Lágrima que corre,


Olhar que acaricia,


Desejo que sacia,


Amor que promove.


E isso não é coisa de outro mundo,


É o que dá sentido à vida.


É o que faz com que ela


Não seja nem curta,


Nem longa demais,


Mas que seja intensa,


Verdadeira, pura… Enquanto durar




(“Vintém de Cobre”, “Meias Confissões de Aninha”, Ed. Melhoramentos, 1996, 8ª. Edição, pág. 52)

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quarta-feira, 7 de março de 2012

AS SEM RAZÕES DO AMOR, de Carlos Dummond de Andrade

Eu te amo porque te amo,


Não precisas ser amante,


e nem sempre sabes sê-lo.


Eu te amo porque te amo.


Amor é estado de graça


e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,


é semeado no vento,


na cachoeira, no eclipse.


Amor foge a dicionários


e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo


bastante ou demais a mim.


Porque amor não se troca,


não se conjuga nem se ama.


Porque amor é amor a nada,


feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,


e da morte vencedor,


por mais que o matem (e matam)


a cada instante de amor.



("Obra Completa, "Poética", Ed. Aguilar, 1964, pág. 312)


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segunda-feira, 5 de março de 2012

RIFA-SE UM CORAÇÃO (QUASE NOVO), de Clarice Lispector

Rifa-se um coração quase novo.

Um coração idealista.

Um coração como poucos.

Um coração à moda antiga.

Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.

Rifa-se um coração que na realidade

está um pouco usado, meio calejado, muito machucado

e que teima em alimentar sonhos, e cultivar ilusões.

Um pouco inconseqüente

que nunca desiste de acreditar nas pessoas.

Um leviano e precipitado,

coração que acha que Tim Maia estava certo

quando escreveu... "não quero dinheiro,

eu quero amor sincero, é isso que eu espero...".

Um idealista...

Um verdadeiro sonhador...

Rifa-se um coração que nunca aprende.

Que não endurece,

e mantém sempre viva a esperança de ser feliz,

sendo simples e natural.

Um coração insensato que comanda o racional

sendo louco o suficiente para se apaixonar.

Um furioso suicida que vive procurando relações

e emoções verdadeiras.

Rifa-se um coração que insiste

em cometer sempre os mesmos erros.

Esse coração que erra, briga, se expõe.

Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.

Sai do sério e, às vezes revê suas posições

arrependido de palavras e gestos.

Este coração tantas vezes incompreendido.

Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo.

Rifa-se este desequilibrado emocional que,

abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas,

mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.

Um coração para ser alugado,

ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.

Um órgão abestado

indicado apenas para quem quer viver intensamente e,

contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida

matando o tempo, defendendo-se das emoções.

Rifa-se um coração tão inocente

que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.

Um coração que quando parar de bater

ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas:

" O Senhor poder conferir", eu fiz tudo certo,

só errei quando coloquei sentimento.

Só fiz bobagens e me dei mal

quando ouvi este louco coração de criança

que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer".

Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro

que tenha um pouco mais de juízo.

Um órgão mais fiel ao seu usuário.

Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.

Um coração que não seja tão inconseqüente.

Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,

mas que incomoda um bocado.

Um verdadeiro caçador de aventuras que,

ainda não foi adotado, provavelmente,

por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais,

por não querer perder o estilo.

Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.

Um simples coração humano.

Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.

Um modelo cheio de defeitos que,

mesmo estando fora do mercado,

faz questão de não se modernizar, mas vez por outra,

constrange o corpo que o domina.

Um velho coração que convence seu usuário

a publicar seus segredos e, a ter a petulância

de se aventurar como poeta.



("Antologia Poética", Liv. Nova Fronteira, 1997, pág. 164)


Já publiquei aqui! Mas, como achei adequado, resolvi compartilhar novamente com vocês!
Se cuida, companheiro* !

*(O companheiro é o coração da gentil moça ou do ilustre cavalheiro que me honra aqui comparecendo)

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domingo, 4 de março de 2012

EMBRIAGUE-SE, de Charles Baudelaire

Devemos andar sempre bêbados .

Tudo se resume nisto: é a única solução.

Para não sentires o tremendo fardo do tempo que te despedaça os ombros e te verga para a terra, deves embriagar-te sem cessar.

Mas com quê?

Com vinho, com poesia ou com a virtude, a teu gosto.

... Mas embriaga-te.

E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas duma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que se passou, a tudo o que gemeu, a tudo o que gira, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunta-lhes que horas são:

__São horas de te embriagares!

Para não seres como os escravos martirizados do tempo, embriaga-te, embriaga-te sem cessar!

Com vinho, com poesia, ou com a virtude, a teu gosto.



(Comentário necessário: ao se traduzir qualquer texto, penso eu, deve ser permitido uma certa flexibilização, pois a tradução literal pode não agregar o sentimento do autor, na língua de origem! Achei importante dizer isso)



Por favor, embriague-se apenas um pouquinho...

sábado, 3 de março de 2012

TRÊS COISAS, de Fernando Pessoa

TRÊS COISAS


Fernando Pessoa:



Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!"



("Obra Completa", "Poética", Ed. Aguilar, 1960, pág. 98)





Um bom e querido amigo perguntou-me, ontem, porque eu publicava sempre esse poema! Minha resposta a ele, e a quem talvez se pergunte o mesmo, foi:... é que ando um pouco esquecido e esse poema é importante para que eu faça uma correção de rumos a tempo e hora!

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quinta-feira, 1 de março de 2012

SONETO, de Luís de Camões


Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.

Amor é brando, é doce e é piedoso;
Quem o contrário diz não seja crido:
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens e inda aos deuses odioso.

Se males faz Amor, em mi se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.

Mas todas suas iras são de amor;
Todos estes seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.





(O soneto ora publicado foi extraído do livro "Inês de Castro e O velho do restelo", de autoria de Sylmara Beletti e Frederico Barbosa, Landy Editora - São Paulo, 2001, pág. 39.)





quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O Amor Acaba, de Paulo Mendes Campos


O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unha...s; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; PARA RECOMEÇAR EM TODOS OS LUGARES E A QUALQUER MINUTO O AMOR ACABA..



(“Revista da ABL”, nº 210, vol.III, pág.11, de nov. 1973)



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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

DÉJEUNER DU MATIN (Café da manhã) , de Jacques Prévert





Pôs café

na xícara

Pôs leite

na xícara com café

Pôs açúcar

no café com leite

Com a colherzinha

mexeu

Bebeu o café com leite

E pôs a xícara no pires

Sem me falar

acendeu

um cigarro

Fez círculos

com a fumaça

Pôs as cinzas

no cinzeiro

Sem me falar

Sem me olhar

Levantou-se

Pôs

o chapéu na cabeça

Vestiu

a capa de chuva

porque chovia

E saiu

debaixo de chuva

Sem uma palavra

Sem me olhar

Quanto a mim pus

a cabeça entre as mãos

E chorei.
                                  ......................................

DÉJEUNER DU MATIN


Il a mis le café

Dans la tasse

Il a mis le lait

Dans la tasse de café

Il a mis le sucre

Dans le café au lait

Avec le petit cuiller

Il a tourné

Il a bu le café au lait

Et il a resposé la tasse

Sans me parler

Il a alumé

Une cigarrette

Il a fait des ronds

Avec la fumée

Il a mis des cendres

Dans le cendrier

Sans me parler

Sans me regarder

Il s'est levé

Il a mis

Son chapeau sur la tête

Il a mis

Son manteau de pluie

Parce qu'il pleuvait

Il est parti

Sous la pluie

Sans une parole

Sans me regarder

E moi j'ai pris

Ma tête dans ma main

E j'ai pleuré.







domingo, 26 de fevereiro de 2012

EVOCAÇÃO DA ROSA, de Abdias do Nascimento


Era uma vez uma rosa

que não era vegetal

nem rosa mineral

carecia até da cor de rosa

era uma gata formosa

negra amarela e brancosa

irrequietamente caprichosa

vestida de suave pêlo multicor



Bichana terrivelmente amorosa

dos laços dos seus encantos

nenhum gato jamais se livrou

pelos telhados miava dengosa

suspirava a noite inteira

seduzindo namoradeira

toda a gataria ao

luar da lua alcoviteira



Certo dia Rosa pariu

uma ninhada de gatinhos

de várias cores engraçadinhos

os mais lindos eram os pretinhos

mamavam de patinhas entrelaçadas

ronronando de olhos cerrados

boquinhas rosadas coladas

às rosadas tetas de Rosa



Num desses momentos

um gatão assassino

pêlo sujo debotado

miando feio saltou felino

matando gatinho por todo lado



A mãe valente e briosa

socorri de porrete na mão

ajudei a defesa de Rosa

esbordoando estridente

perseguindo o ladrão

ele fugiu espavorido

um gatinho levando nos dentes

outros sangravam na agonia

Rosa fuzilava os olhos dementes

miando plangente a dor que lhe doía

noites a fio seu gemer se ouvia

ó doce e carinhosa Rosa

era de cortar o coração

ver-te enlouquecida

recusar enfurecida

aquela felina traição

ir definhando entristecida

até a completa inanição



Rosa cheirosa e macia

que ao morrer no

meu jardim plantei

sob a terra desapareceu

aos cuidados da minha

pobre primavera de

uma gata demente e morta

a rosa-gata enternecida

em rosa-flor floresceu

foram ambas a

única rosa que

a infância me deu



Buffalo, 30 de janeiro de 1981









sábado, 25 de fevereiro de 2012

HÁ MUITO TEMPO...de MIGUEL TORGA


Há muito tempo já não escrevo um poema
De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
... Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira

Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
- Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor



(“Revista de Coimbra”, nº. 98, vol. 34, pág. 75)

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domingo, 19 de fevereiro de 2012

O Sentimento do Sublime


Vinicius de Moraes


Místico






O ar está cheio de murmúrios misteriosos


E na névoa clara das coisas há um vago sentido de espiritualização…


Tudo está cheio de ruídos sonolentos


Que vêm do céu, que vêm do chão


E que esmagam o infinito do meu desespero.






Através do tenuíssimo de névoa que o céu cobre


Eu sinto a luz desesperadamente


Bater no fosco da bruma que a suspende.


As grandes nuvens brancas e paradas –


Suspensas e paradas


Como aves solícitas de luz –


Ritmam interiormente o movimento da luz:


Dão ao lago do céu


A beleza plácida dos grandes blocos de gelo.






No olhar aberto que eu ponho nas coisas do alto


Há todo um amor à divindade.


No coração aberto que eu tenho para as coisas do alto


Há todo um amor ao mundo.


No espírito que eu tenho embebido das coisas do alto


Há toda uma compreensão.






Almas que povoais o caminho de luz


Que, longas, passeais nas noites lindas


Que andais suspensas a caminhar no sentido da luz


O que buscais, almas irmãs da minha?


Por que vos arrastais dentro da noite murmurosa


Com os vossos braços longos em atitude de êxtase?


Vedes alguma coisa


Que esta luz que me ofusca esconde à minha visão?


Sentis alguma coisa


Que eu não sinta talvez?


Por que as vossas mãos de nuvem e névoa


Se espalmam na suprema adoração?


É o castigo, talvez?






Eu já de há muito tempo vos espio


Na vossa estranha caminhada.


Como quisera estar entre o vosso cortejo


Para viver entre vós a minha vida humana...


Talvez, unido a vós, solto por entre vós


Eu pudesse quebrar os grilhões que vos prendem...






Sou bem melhor que vós, almas acorrentadas


Porque eu também estou acorrentado


E nem vos passa, talvez, a idéia do auxílio.


Eu estou acorrentado à noite murmurosa


E não me libertais...


Sou bem melhor que vós, almas cheias de humildade.


Solta ao mundo, a minha alma jamais irá viver convosco.






Eu sei que ela já tem o seu lugar


Bem junto ao trono da divindade


Para a verdadeira adoração.






Tem o lugar dos escolhidos


Dos que sofreram, dos que viveram e dos que compreenderam.














Rio de Janeiro, 1933





domingo, 5 de fevereiro de 2012

Saudade, de Rita Lacerda Watts, boa amiga

Saudade é dor que dói sentida
Dor que corrói
É a viagem do tempo sabida
Mas não protegida
Pelo vai e vem.

... ... Saudade é a lembrança da sorte
Inimiga da morte
Porque vive várias vezes
Mesmo que sofrida
A alegria de alguém.

Saudade é fé e esperança
É pura como criança
Vem correndo e te alcança
Quando menos você espera
De pureza dura
e força singela
É um laço invisível
Que liga as almas amigas
Numa trama querida
Aqui e no além.

(Estou tendo o privilégio de publicar esse poema pela primeira vez e aqui no FB. Agradeço-lhe muito,Ritoca)

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Sou Eu, de Fernando Pessoa, como Alvaro de Campos

SIM, SOU EU, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou aqui em mim, sou eu.

Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
... Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.

Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões da vida.

Sou eu mesmo, que remédio!...



(in “Ficções do Interlúdio”, “Obra Poética”, Ed. José Aguilar, 1960, pág. 349/350)

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domingo, 29 de janeiro de 2012

Razões Conjugadas, de Adalgiza Nery

Da tristeza, tempo nascido do sonho,
Formaram-se o vento, as águas mansas,
A escuridão úmida sob o sol,
A neve amortalhando as distâncias,
O pranto confuso,
O silêncio compacto, tão pesado.

No caminho já pisado por mil pés
Há relva à procura da luz imaculada.

Tão relva quanto tão estrela
Ambas em tristeza confirmadas
Como o pranto tão confuso, tão chorado,
O silêncio tão compacto, tão pesado.
Ações do corpo conjugadas
Às canções que permanecem ocultas
À voz alegre dos rios,
Ao vôo das asas alumbradas.
Cárceres de sonhos e temores,
Desejos de morte sobre mortes,
No pranto tão confuso, tão chorado,
No silêncio tão compacto, tão pesado.


(©Adalgisa Nery,in"Erosão", 1974)

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O Olhar Para Trás, de Vinicius de Moraes

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Nem surgisse um olhar de piedade ou de amor
Nem houvesse uma branca mão que apaziguasse minha fronte palpitante...
Eu estaria sempre como um círio queimando para o céu a minha fatalidade
Sobre o cadáver ainda morno desse passado adolescente.

Talvez no espaço perfeito aparecesse a visão nua
Ou talvez a porta do oratório se fosse abrindo misteriosamente...
Eu estaria esquecido, tateando suavemente a face do filho morto
Partido de dor, chorando sobre o seu corpo insepultável.

Talvez da carne do homem prostrado se visse sair uma sombra igual à minha
Que amasse as andorinhas, os seios virgens, os perfumes e os lírios da terra
Talvez… mas todas as visões estariam também em minhas lágrimas boiando
E elas seriam como óleo santo e como pétalas se derramando sobre o nada.

Alguém gritaria longe: - "Quantas rosas nos deu a primavera!..."
Eu olharia vagamente o jardim cheio de sol e de cores noivas se enlaçando
Talvez mesmo meu olhar seguisse da flor o vôo rápido de um pássaro
Mas sob meus dedos vivos estaria a sua boca fria e os seus cabelos luminosos.

Rumores chegariam a mim, distintos como passos na madrugada
Uma voz cantou, foi a irmã, foi a irmã vestida de branco! - a sua voz é fresca como o orvalho...
Beijam-me a face - irmã vestida de azul, por que estás triste?
Deu-te a vida a velar um passado também?

Voltaria o silêncio - seria uma quietude de nave em Senhor Morto
Numa onda de dor eu tomaria a pobre face em minhas mãos angustiadas
Auscultaria o sopro, diria à toa - Escuta, acorda
Por que me deixaste assim sem me dizeres quem eu sou?

E o olhar estaria ansioso esperando
E a cabeça ao sabor da mágoa balançando
E o coração fugindo e o coração voltando
E os minutos passando e os minutos passando...

No entanto, dentro do sol a minha sombra se projeta
Sobre as casas avança o seu vago perfil tristonho
Anda, dilui-se, dobra-se nos degraus das altas escadas silenciosas
E morre quando o prazer pede a treva para a consumação da sua miséria.

E que ela vai sofrer o instante que me falta
Esse instante de amor, de sonho, de esquecimento
E quando chega, a horas mortas, deixa em meu ser uma braçada de lembranças
Que eu desfolho saudoso sobre o corpo embalsamado do eterno ausente.

Nem surgisse em minhas mãos a rósea ferida
Nem porejasse em minha pele o sangue da agonia...
Eu diria - Senhor, por que me escolheste a mim que sou escravo
Por que chegaste a mim cheio de chagas?

Nem do meu vazio te criasses, anjo que eu sonhei de brancos seios
De branco ventre e de brancas pernas acordadas
Nem vibrasses no espaço em que te moldei perfeita...
Eu te diria - Por que vieste te dar ao já vendido?

Oh, estranho húmus deste ser inerme e que eu sinto latente
Escorre sobre mim como o luar nas fontes pobres
Embriaga o meu peito do teu bafo que é como o sândalo
Enche o meu espírito do teu sangue que é a própria vida!

Fora, um riso de criança - longínqua infância da hóstia consagrada
Aqui estou ardendo a minha eternidade junto ao teu corpo frágil!
Eu sei que a morte abrirá no meu deserto fontes maravilhosas
E vozes que eu não sabia em mim lutarão contra a Voz.

Agora porém estou vivendo da tua chama como a cera
O infinito nada poderá contra mim porque de mim quer tudo
Ele ama no teu sereno cadáver o terrível cadáver que eu seria
O belo cadáver nu cheio de cicatriz e de úlceras.

Quem chamou por mim, tu, mãe? Teu filho sonha...
Lembras-te, mãe, a juventude, a grande praia enluarada...
Pensaste em mim, mãe? Oh, tudo é tão triste
A casa, o jardim, o teu olhar, o meu olhar, o olhar de Deus...

E sob a minha mão tenho a impressão da boca fria murmurando
Sinto-me cego e olho o céu e leio nos dedos a mágica lembrança
Passastes, estrelas... Voltais de novo arrastando brancos véus
Passastes, luas... Voltais de novo arrastando negros véus...

("Antologia Poética", Ed. Sabiá, 1979, pág. 96)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Quem Sou Eu, de Nelson Mandela

Nosso medo mais profundo
não é o de sermos inadequados.
Nosso medo mais profundo
é que somos poderosos além de qualquer medida.
É a nossa luz, não as nossas trevas,
o que mais nos apavora.
Nós nos perguntamos:

Quem sou eu para ser Brilhante,
Maravilhoso, Talentoso e Fabuloso?
Na realidade, quem é você para não ser?

Você é filho do Universo.

Se fazer pequeno não ajuda o mundo.
Não há iluminação em se encolher,
para que os outros não se sintam inseguros
quando estão perto de você.

Nascemos para manifestar
a glória do Universo que está dentro de nós.
Não está apenas em um de nós: está em todos nós.
E conforme deixamos nossa própria luz brilhar,
inconscientemente damos às outras pessoas
permissão para fazer o mesmo.
E conforme nos libertamos do nosso medo,
nossa presença, automaticamente, libera os outros.

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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Vocação Para a Felicidade, de Carlos Drummond de Andrade

Não serei o poeta de um mundo caduco

Não escreverei versos chorosos, cantando tristezas infinitas,
amores impossíveis, saudades dolorosas,
paixões trágicas e não correspondidas.

Tenho a vocação para a felicidade.
Ser feliz não me traz sentimento de culpa.
Não preciso da tristeza para justificar a inutilidade da vida.
Não preciso morrer e ir ao céu para encontrar a felicidade.
Quero-a e tenho-a neste espaço terreno do aqui e do agora.

A felicidade, tal e qual o amor, está dentro de mim
E transborda em ternuras, em melodias,
em carinhos, em alegrias, em cantos e encantos.

Sou feliz e não preciso me justificar.
Sorrio sem ver passarinho verde.
Não tenho medo de ser feliz.

Faço minha estrela brilhar.
Sem receio dos encontros, desencontros,
encantos e desencantos que o amor me diz.

Contrariedades? Eu as tenho.
E quem não as tem na vida secular ?
Escassez de dinheiro? Nem é bom falar
Amores não correspondidos? Separações?
Rejeições? Saudades incuráveis?
Carinhos reprimidos, ternuras guardadas,
sem a contra parte do outro?
Eu tenho aos montões.
Sou a rainha das perdas, necessárias ao meu crescimento.

Contudo quem não soube a sombra não sabe a luz.
E num livro de matemática existencial
juntei todos esses problemas insolúveis,
com as respostas nas últimas páginas.
Mas pra que me debruçar
sobre eles, procurando a solução
se a própria vida me conduz
a resposta final?

Sem medo de ser feliz vou por aqui e por ali
por onde os caminhos, as trilhas,
Os atalhos me levarem, traçando meu rumo.
Às vezes com alguma tristeza,
mas quem disse que felicidade
é o contrário de tristeza?
Tristeza é só uma momentânea falta de alegria!


É, amigo, amanhã é sempre um novo dia
E quando a infelicidade passar por aqui,
minhas malas estarão prontas
para eu ir por ai.


(in "Obra Completa", "Poética", Ed. Aguilar, 1964, pág. 346)

sábado, 26 de novembro de 2011

O Desespero da Piedade, de Vinicius de Moraes

Meu Senhor, tende piedade dos que andam de bonde
E sonham no longo percurso com automóveis, apartamentos...
Mas tende piedade também dos que andam de automóvel
Quantos enfrentam a cidade movediça de sonâmbulos, na direção.


Tende piedade das pequenas famílias suburbanas
E em particular dos adolescentes que se embebedam de domingos
Mas tende mais piedade ainda de dois elegantes que passam
E sem saber inventam a doutrina do pão e da guilhotina


Tende muita piedade do mocinho franzino, três cruzes, poeta
Que só tem de seu as costeletas e a namorada pequenina
Mas tende mais piedade ainda do impávido forte colosso do esporte
E que se encaminha lutando, remando, nadando para a morte.


Tende imensa piedade dos músicos de cafés e de casas de chá
Que são virtuoses da própria tristeza e solidão
Mas tende piedade também dos que buscam o silêncio
E súbito se abate sobre eles uma ária da Tosca.


Não esqueçais também em vossa piedade os pobres que enriqueceram
E para quem o suicídio ainda é a mais doce solução
Mas tende realmente piedade dos ricos que empobreceram
E tornam-se heróicos e à santa pobreza dão um ar de grandeza.


Tende infinita piedade dos vendedores de passarinhos
Quem em suas alminhas claras deixam a lágrima e a incompreensão
E tende piedade também, menor embora, dos vendedores de balcão
Que amam as freguesas e saem de noite, quem sabe onde vão...


Tende piedade dos barbeiros em geral, e dos cabeleireiros
Que se efeminam por profissão mas são humildes nas suas carícias
Mas tende maior piedade ainda dos que cortam o cabelo:
Que espera, que angústia, que indigno, meu Deus!


Tende piedade dos sapateiros e caixeiros de sapataria
Quem lembram madalenas arrependidas pedindo piedade pelos sapatos
Mas lembrai-vos também dos que se calçam de novo
Nada pior que um sapato apertado, Senhor Deus.


Tende piedade dos homens úteis como os dentistas
Que sofrem de utilidade e vivem para fazer sofrer
Mas tente mais piedade dos veterinários e práticos de farmácia
Que muito eles gostariam de ser médicos, Senhor.


Tende piedade dos homens públicos e em particular dos políticos
Pela sua fala fácil, olhar brilhante e segurança dos gestos de mão
Mas tende mais piedade ainda dos seus criados, próximos e parentes
Fazei, Senhor, com que deles não saiam políticos também.


E no longo capítulo das mulheres, Senhor, tenha piedade das mulheres
Castigai minha alma, mas tende piedade das mulheres
Enlouquecei meu espírito, mas tende piedade das mulheres
Ulcerai minha carne, mas tende piedade das mulheres!


Tende piedade da moça feia que serve na vida
De casa, comida e roupa lavada da moça bonita
Mas tende mais piedade ainda da moça bonita
Que o homem molesta — que o homem não presta, não presta, meu Deus!


Tende piedade das moças pequenas das ruas transversais
Que de apoio na vida só têm Santa Janela da Consolação
E sonham exaltadas nos quartos humildes
Os olhos perdidos e o seio na mão.


Tende piedade da mulher no primeiro coito
Onde se cria a primeira alegria da Criação
E onde se consuma a tragédia dos anjos
E onde a morte encontra a vida em desintegração.


Tende piedade da mulher no instante do parto
Onde ela é como a água explodindo em convulsão
Onde ela é como a terra vomitando cólera
Onde ela é como a lua parindo desilusão.


Tende piedade das mulheres chamadas desquitadas
Porque nelas se refaz misteriosamente a virgindade
Mas tende piedade também das mulheres casadas
Que se sacrificam e se simplificam a troco de nada.


Tende piedade, Senhor, das mulheres chamadas vagabundas
Que são desgraçadas e são exploradas e são infecundas
Mas que vendem barato muito instante de esquecimento
E em paga o homem mata com a navalha, com o fogo, com o veneno.


Tende piedade, Senhor, das primeiras namoradas
De corpo hermético e coração patético
Que saem à rua felizes mas que sempre entram desgraçadas
Que se crêem vestidas mas que em verdade vivem nuas.


Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade
Que ninguém mais deseja tanto poesia e sinceridade
Que ninguém mais precisa tanto alegria e serenidade.


Tende infinita piedade delas, Senhor, que são puras
Que são crianças e são trágicas e são belas
Que caminham ao sopro dos ventos e que pecam
E que têm a única emoção da vida nelas.


Tende piedade delas, Senhor, que uma me disse
Ter piedade de si mesma e da sua louca mocidade
E outra, à simples emoção do amor piedoso
Delirava e se desfazia em gozos de amor de carne.


Tende piedade delas, Senhor, que dentro delas
A vida fere mais fundo e mais fecundo
E o sexo está nelas, e o mundo está nelas
E a loucura reside nesse mundo.


Tende piedade, Senhor, das santas mulheres
Dos meninos velhos, dos homens humilhados — sede enfim
Piedoso com todos, que tudo merece piedade
E se piedade vos sobrar, Senhor, tende piedade de mim!


A poesia acima foi extraída do livro "Antologia Poética", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág.73.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Romeu e Julieta, de Shakespeare (Traduzido por Olavo Bilac)

(Ato III, cena V.)

JULIETA:
Por que partir tão cedo? inda vem longe o dia...
Ouves? é o rouxinol. Não é da cotovia
Esta encantada voz. Repara, meu amor:
Quem canta é o rouxinol na romãzeira em flor.
Toda a noite essa voz, que te feriu o ouvido,
Povoa a solidão como um longo gemido.
Abracemo-nos! fica! inda vem longe o sol!
Não canta a cotovia: é a voz do rouxinol!

ROMEU:
É a voz da cotovia anunciando a aurora!
Vês? há um leve tremor pelo horizonte afora.
Das nuvens do levante abre-se o argênteo véu,
E apagam-se de todo as limpadas do céu.
Já sobre o cimo azul das serras nebulosas,
Hesitante, a manhã coroada de rosas
Agita os leves pés, e fica a palpitar
Sobre as asas de luz, como quem quer voar.
Olha! mais um momento, um rápido momento,
E o dia sorrirá por todo o firmamento!
Adeus! devo partir! partir para viver...
Ou ficar a teus pés para a teus pés morrer!

JULIETA:
Não é o dia! O espaço inda se estende, cheio
Da noite caridosa. Exala do ígneo seio
O sol, piedoso e bom, este vivo dano
Sé para te guiar por entre a cerração.
Fica um minuto mais! por que partir tão cedo?

ROMEU:
Mandas? não partirei! esperarei sem medo
Que a morte, com a manhã, venha encontrar-me aqui!
Sucumbirei feliz, sucumbindo por ti!
Mandas? não partirei! queres? direi contigo
Que é mentira o que vejo e mentira o que digo!
Sim! tens razão! não é da cotovia a voz
Este encantado som que erra em torno de nós!
É um reflexo da lua a claridade estranha
Que aponta no horizonte acima da montanha!
Fico para te ver, fico para te ouvir,
Fico para te amar, morro por não partir!
Mandas? não partirei! cumpra-se a minha sorte!
Julieta assim o quis: bem-vinda seja a morte!
Meu amor, meu amor! olha-me assim! assim!


JULIETA:
Não! é o dia! é a manhã! Parte! foge de mim!
Parte! apressa-te! foge! A cotovia canta
E do nascente em fogo o dia se levanta
Ah! reconheço enfim estas notas fatais!
O dia! ... a luz do sol cresce de mais em mais
Sobre a noite nupcial do amor e da loucura!

ROMEU:
Cresce... E cresce com ela a nossa desventura!



("Obra Completa", "Versões", Ed. Aguilar, 1960, pág. 43)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Há momentos, de Clarice Lispector.

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.