segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Ariel, de Silvia Plath

ARIEL

Estancamento no escuro.
Então um azul sem substância
De penhascos e distâncias.

Leoa de Deus,
Crescemos como tal,
Pivô de calcanhares e joelhos! - O sulco

Divide e passa, irmã do
Arco castanho
Do pescoço que não posso abraçar,

Olhos negros
Sementes forjam escuros
anzois...

Goles de sangue negro e doce,
Sombras.
Algo mais

Arrasta-me pelo ar -
Coxas, cabelos;
Lascas de meus calcanhares.

Branca
Godiva, descasco -
Mãos mortas, necessidades mortas.

E agora eu
Espuma ao trigo, um brilho de mares.
O choro da criança

Derrete-se na parede
E eu
Sou a flexa,

Orvalho que voa,
Suicida, que se lança
Dentro do vermelho

Olho, o caldeirão da manhã.


1 - Biografia Sucinta
A partir de seu suicídio em 1963, e após a publicação de Ariel, em 1965, Sylvia Plath se tornou um dos grandes mitos da literatura norte-americana. Além da força do seu trabalho literário, os acontecimentos de sua vida e os fatos trágicos que se passaram com aqueles que com ela se envolveram, direta ou indiretamente, contribuíram - e contribuem - diretamente para toda uma aura que se formou em torno da poeta.
Sylvia Plath nasceu em Boston, Massachusetts, em 27 de outubro de 1932. Seu pai, Otto Plath, foi um imigrante alemão que chegou a ser professor de entomologia na Universidade de Boston. Otto, a partir da segunda metade da década de 30, começou a ter problemas de saúde e, convencido de que se tratava de câncer dos pulmões, recusou-se a um tratamento. Em 1940, contudo, forçado a procurar um médico, devido a uma infecção no pé identificou-se que Otto, em lugar de câncer, tinha diabetes. Foi obrigado a amputar a perna e acabou por falecer em 5 de novembro de 1940. Essa morte, quando Sylvia tinha, apenas, oito anos, deixou, nela, cicatrizes psicológicas profundas, principalmente devido ao fato de que Sylvia, com certeza, tinha a propensão para o desenvolvimento de estados de depressão. Ao mesmo tempo em que o pai se tornou uma espécie de referência para ela, trouxe-lhe também uma sensação de abandono e de mágoa, como se ele tivesse cometido suicídio, pelo fato de não ter se tratado adequadamente. Essa mesma sensação de abandono e mágoa veio a se manifestar após o término do seu casamento, desaguando, com muita força, na poesia "Daddy" (Papai), onde algumas pessoas encontram, no mesmo poema, referências emocionais, tanto ao pai quanto ao ex-marido.
Em 1950 Sylvia entra para o "Smith College", em Northhampton, Massachusetts, ao mesmo tempo em que continua a escrever, tanto para o jornal do "Smith College" como para revistas de circulação nacional. Em 1953, Sylvia começou a apresentar sinais mais claros de depressão, até que em 24 de agosto desse ano, aproveitando-se de uma ocasião em que ninguém estava em casa, Sylvia se escondeu num canto da casa e tomou um punhado de pílulas para dormir. Apenas no dia 26, Sylvia foi descoberta, ainda viva e encaminhada a um hospital. Ela, mais tarde, recordou esse episódio, em sua livro, "The Bell Jar" ( A Redoma de Vidro).

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