terça-feira, 4 de setembro de 2012

A ARTE DE AMAR , de Thiago de Mello


Não faço poemas como quem chora, 
nem faço versos como quem morre.
Quem teve esse gosto foi o bardo Bandeira
que quando muito moço; achava que tinha 
os dias contados pela tísica
e até se acanhava de namorar.

Faço poemas como quem faz amor. 
É a mesma luta suave e desvairada
enquanto a rosa orvalhada
se vai entreabrindo devagar.
A gente nem se dá conta, até acha bom,
o imenso trabalho que amor dá para fazer.

Perdão, amor não se faz.
Quando muito, se desfaz.
Fazer amor é um dizer
(a metáfora é falaz)
de quem pretende vestir
com roupa austera a beleza
do corpo da primavera.
O verbo exato é foder.
A palavra fica nua
para todo mundo ver
o corpo amante cantando
a glória do seu poder

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