domingo, 17 de maio de 2009

O bêbado e a equilibrista, de João Bosco

Caía
A tarde feito um viaduto
E um bebado trajando luto
Me lembrou Carlitos

A lua,
Tal qual a dona dum bordel,
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

E nuvens,
Lá no mata-borrão do céu,
Chupavam manchas torturadas...
Que sufoco!

Louco,
O bêbado com chapéu côco
Fazia irreverências mil
Pra noite do Brasil.
Meu Brasil

Que sonha
Com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete

Chora a nossa pátria, mãe gentil,
Choram Marias e Clarisses
No solo do Brasil

Mas sei
Que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente...
A esperança dança
Na corda bamba de sombrinha,
E em cada passo dessa linha
Pode se machucar

Azar,
A esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar

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