domingo, 26 de julho de 2009

O Perigo de Escrever Versos Desafiantes, de Dorothy Parker

E agora tenho outro rapaz!
Nem precisa mais dizer
que minhas noites são lentas e sem paz
por tanto amar você.

O jeito dele não é como o seu, que é mau.
Ele não é do seu tipo matreiro
ele se prepara para o juizo final
um homem sóbrio e verdadeiro.

Nunca o vêem por aí pela cidade
com outra no colo a lamber
Ele acabaria com sua herdade
se isso me desse prazer.

Daria seu sangue para meus lábios pintar
Se eu os quisesse vermelho e não rosa
Ele implora as pontas de meus dedos tocar
ou afagar minha cabeça orgulhosa.

Nunca há um pingo de mentira em seu falar
e nem se gaba dos corações que é dono
Já até me esqueci o que é chorar
e recordei o que é uma noite de sono.

Não é quem consola meus pensamentos
é mais devagar, anda a pé.
Ó Deus, lendo isso descubro neste momento
o bocado tolo que ele é!



A poesia de Dorothy Parker é traduzida pela minha amiga Angela Carneiro, em 1996)

Eu já pedi ao João Guedes cópias do original!

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