sábado, 7 de julho de 2012

TERNURA , de Vinicius de Moraes





Eu te peço perdão por te amar de repente


Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos


Das horas que passei à sombra dos teus gestos


Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos


Das noites que vivi acalentado


Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo


Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente






E posso te dizer que o grande afeto que te deixo


Não trai o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas


Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...


É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias


E só te pede que te repouses quieta, muito quieta


E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.






( in 'Antologia Poética' , Ed. Sabiá, 1972)


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